O que esperar quando nem mesmo existe?
O que falar, já não importa se feliz ou triste
Mostra e firma a tua distância
Pois em quase nada vale a minha ânsia
Ante a banalização da sua existência
Resta juntar-me ao inimigo
Seguir e prestar reverência
Àquele que me suga do abrigo
Sem orientação (ou seria peste?)
Que valha o trabalho de se seguir
Faço do rosto um escudo em teste
Ajudo o vento a me partir
Sorri nervosamente da morte
Assumi em voz alta a minha sorte
Nem sempre sei se cheguei a ganhar
Dado que aquilo pode ter sido azar
Assim espero pôr em cheque
A grande necessidade da tua ajuda
Como se (eu) fosse de gente miúda
Só não chegaria a usar um leque
Apesar da delicadeza com que sangro
Ferve de angústia antes do buraco
O melaço encarnado e brando
Avisando não hesite senão eu ataco
E no final, ao chegarem as contas
Volto a existir e a brindar
Como não houvesse despencado em pleno ar
Desejo sincero d’O que me contas?
É que já não sou aquele do ódio no olhar
Ou não.
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