terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Já não importa

O que esperar quando nem mesmo existe?
O que falar, já não importa se feliz ou triste
Mostra e firma a tua distância
Pois em quase nada vale a minha ânsia

Ante a banalização da sua existência
Resta juntar-me ao inimigo
Seguir e prestar reverência
Àquele que me suga do abrigo

Sem orientação (ou seria peste?)
Que valha o trabalho de se seguir
Faço do rosto um escudo em teste
Ajudo o vento a me partir

Sorri nervosamente da morte
Assumi em voz alta a minha sorte
Nem sempre sei se cheguei a ganhar
Dado que aquilo pode ter sido azar

Assim espero pôr em cheque
A grande necessidade da tua ajuda
Como se (eu) fosse de gente miúda
Só não chegaria a usar um leque

Apesar da delicadeza com que sangro
Ferve de angústia antes do buraco
O melaço encarnado e brando
Avisando não hesite senão eu ataco

E no final, ao chegarem as contas
Volto a existir e a brindar
Como não houvesse despencado em pleno ar
Desejo sincero d’O que me contas?
É que já não sou aquele do ódio no olhar

Ou não.

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