Seu rosto pálido expôs a sinceridade de um sentimento - o que há tempos não se via. Seus olhos abriram-se o máximo possível, deixando a parte negra totalmente interna à branca. Os cílios combinavam com o restante do conjunto, postando-se atentos, de pé, acompanhando as sobrancelhas. Sua boca delicada e macia insistia em esticar o tecido, tornando-se totalmente lisa e expondo um mundo escuro, do qual saíram comentários de toda uma vida - sabe-se lá do quê mais - representados por uma vermelhidão, como que sangrando, sofrendo pelos caminhos que escolhera para finalmente estar assim, daquela maneira, naquele momento. As bochechas permaneceram inalteradas, talvez por causa da maquiagem ou porque não têm grande capacidade de se deformarem. O cabelo amarelo dourado destoava da situação: estava gracioso e impecável, emanando um brilho único. Parecia proposital que iluminava as prováveis trevas que estavam por vir. Suas ondas lembravam a tranquilidade do oceano e possivelmente seus ensinamentos. Uma coisa atrás da outra, sempre, harmonicamente, envolvendo a trama da existência, seja ela qual for.
A cena estava totalmente parada, substituindo quaisquer palavras que alguém um dia usara na esperança de expelir o que sentia. Seria uma linda propaganda de cinema holywoodiano dos anos 60 - talvez seja - se não aparecesse aqui, somente aqui, até onde sei.