quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz...


Natal sem talento.

Manco.

Ps.: A foto é em homenagem à forma de arte que mais me aproximei neste ano: a escrita.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Retrato

"Era um homem sem cidade ou tribo, condenado a perambular perpetuamente, vivendo de expedientes, que muitas vezes eram produto de uma mente confusa, e dependendo da misericórdia de estranhos; um homem alquebrado, sem esperanças ou sonhos."

Parte do livro Roma, de Steven Saylor.

Um retrato, simplesmente.

Um retrato.

Daqueles que eriçam os pêlos da nuca
E erradicam qualquer sensação
De crença no bom
No gostoso
Daqueles que fazem empalidecer.

Um simples retrato.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Já não importa

O que esperar quando nem mesmo existe?
O que falar, já não importa se feliz ou triste
Mostra e firma a tua distância
Pois em quase nada vale a minha ânsia

Ante a banalização da sua existência
Resta juntar-me ao inimigo
Seguir e prestar reverência
Àquele que me suga do abrigo

Sem orientação (ou seria peste?)
Que valha o trabalho de se seguir
Faço do rosto um escudo em teste
Ajudo o vento a me partir

Sorri nervosamente da morte
Assumi em voz alta a minha sorte
Nem sempre sei se cheguei a ganhar
Dado que aquilo pode ter sido azar

Assim espero pôr em cheque
A grande necessidade da tua ajuda
Como se (eu) fosse de gente miúda
Só não chegaria a usar um leque

Apesar da delicadeza com que sangro
Ferve de angústia antes do buraco
O melaço encarnado e brando
Avisando não hesite senão eu ataco

E no final, ao chegarem as contas
Volto a existir e a brindar
Como não houvesse despencado em pleno ar
Desejo sincero d’O que me contas?
É que já não sou aquele do ódio no olhar

Ou não.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Celebration

É festa!

A floresta toda envolta
Nas maravilhas derrapantes da loucura
Dos ritos antigos, instintos extintos
Ainda não

Segura essa porta que cabe mais um
Se cair, cai todo mundo
Se parar é pra beber
Águas da vida ardente
Do ardor de cada pessoa convivida
Com vida
Esperando ajeitar, consertar
Ou tendo que sair
Pro resto subir

Nervos gentis caminhando
Nas pétalas que vislumbram a pele
De todos que amam
E que agora
Amam mais que nunca

Celebrar nossos célebres cérebros
Do São João a Coca-cola a Papai Noel
Cadê meu abraço?
Tá chorando?
Eu também!

E quem criou a seriedade, a “decência”
Pode tirar tudo.
E tira
Tira até a roupa
Selvageria!
Carroças, bois, ursos, insetos, células

Mas hoje você é
É sim, num ser esplêndido
Quem quiser, é
E é tanto
É junto, lindo
Lindos

Aproveita o calor
Aconchega teu amigo
Aproveita esse aí
Ao número 1!
A Letra A

A tudo que a gente quiser

É festa!

domingo, 30 de novembro de 2008

silêncio

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Atiraste uma Pedra

Composição: Herivelto Martins e David Nasser

Atiraste uma pedra no peito de quem só te fez tanto bem
E quebraste um telhado, perdeste um abrigo
Feriste um amigo
Conseguiste magoar quem das mágoas te livrou

Atiraste uma pedra com as mãos que essa boca
Tantas vezes beijou
Quebraste um telhado
Que nas noites de frio te servia de abrigo
Perdeste um amigo que os teus erros não viu
E o teu pranto enxugou

Mas acima de tudo atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia, por estranha ironia
Tua sede matou
Atiraste uma pedra no peito de quem
Só te fez tanto bem

http://www.youtube.com/watch?v=HxPynEMLSfI

Essa música é muito intensa. Aparece no álbum Doces Bárbaros, nas vozes de Caetano, Gil, Bethânia e Gal. Infelizmente a qualidade (do link) está muito baixa - o que não importa.

Há que se ter muito cuidado, porque por vezes perde-se o controle dos teus atos e o que consideras pluma vem a se tornar pedra.

Talvez já a tenha cantado há muito tempo.
O que não quero é que a cantem para mim...

Queridos queridos,
quero-os muito bem.

domingo, 23 de novembro de 2008

O dia também (ainda) é noite

É isso. Ainda está de noite.

Tão noite. Tão escuro.

Eu bebendo meu coração.
Tão tóxico. Tão gostoso.

O amor que tenho.
Por aí. Bêbado. Frágil.
Vulnerável.

O maior. E pior.

Na loucura de ser, no ato insano de existir.
No apelo da prece para...
não perecer.

Ah! Que vazio infinito!
Ai, querida.
Me deixa recostruir
Meu Coração

Me deixa ser
Minha Definição

Levanta-me.
Não para deixar de cair.
Mas para aguentar as quedas.

O que há?
(Suspiro, suspiro, suspiro...)

Sinto-me despreparado.
Sim, é isso.
Estou despreparado.

Para Amar.

sábado, 22 de novembro de 2008

Querer, fazer

"Esta foi uma ótima semana. Eu fiz tudo que eu queria nesta semana."

Foi o que disse um pesquisador biólogo após passar dez dias na Tailândia procurando pelo Bagre Gigante, um peixe em vias de extinção. Eles conseguiram capturar, etiquetar e liberar um deles em ótimas condições justamente um dia antes do retorno do pesquisador.

O nome do programa é Peixes Gigantes e passa no National Geographic Channel.

Então eu me perguntei se não é só isso que a gente busca na vida. Quer dizer, respeitando o ambiente que o cerca, as coisas e pessoas ao seu redor, não seria exatamente isso que buscamos? Passar uma ótima semana na qual encontramos um peixe gigante?

Dizer que fizemos exatamente o que queríamos nesta semana?

Ah, não. Esqueci só de uma coisa...

Precisamos definir o que queremos antes.

domingo, 16 de novembro de 2008

A universidade da gente

“Não apenas leia – Nuño advertia – Aprenda e tente memorizá-los o mais completamente possível, para não precisar consultá-los no futuro. Um livro pode ser queimado ou perdido, mas se você realmente absorve o que existe nele, o livro se torna parte de você e o conhecimento o acompanhará até o fim da vida.”

O trecho acima é do Livro O Último Judeu de Noah Gordon. Especificamente, trata-se de um médico conversando com o seu aprendiz.

Então me recorre um pensamento. Quantos de nós, na Universidade, absorvemos conhecimento dessa maneira? Provas, presenças, sensações de aprendizado não passam de...

Mentiras!

A Universidade passa a ser uma mentira. Eu chutaria uns 10% de verdade (felizes daqueles que a detém, mas cretinos daqueles que não a disseminam).

E na engenharia? Ainda tem gente – professores e alunos – que acham que eu sei de alguma coisa, que eu sou diferenciado. RÁ RÁ RÁ RÁ RÁ

Faz-me rir, querido. Posso até ser em outros aspectos – como este de agora – mas no conhecimento? Sou um fiasco total. E não permitirei isso. Ah, isso não! Deixa só eu ajeitar umas coisas aqui...

Essa não é a Universidade que eu prezo, não deveria ser assim. Ok, não aprender uma ou outra disciplina não é um problema, mas daí a TUDO ser superficial, é demais!

“Avante, irmãos, rumo à exceção, ou seja, ao aprendizado sedimentado!”

Pensai.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O valor do Nada

A voz do silêncio
Será sempre mais profunda
Do que qualquer voz
De qualquer homem
De qualquer época,

Pois esta última...
Esta última está
Impregnada de forjas,
De sujeira inerente a algo.
Pior ainda, algo
Que fala,
Algo que é algo.
Assim, menor do que
Nada, do que o
Silêncio.

Porque o nada, por definição,
Não foi infectado nem
Jamais correrá esse risco
Terrível e encabulante.

Aliás, encabulante para mim,
Homem dentre homens,
Que, para fazer jus ao título,
egocentricamente digo,
-É só o que interessa.
E não é verdade?

Não é verdade?!

A impessoalidade, intangível
Ou, mais desagradável ainda,
Inalcançável - por nós, pelo menos.

Mas o nada, o silêncio
É o mais impessoal, mais puro,
Com o discurso mais sincero e
Correto.

E grita!
Para quem quiser escutar.
Desgraça é:
Nunca vi, conheci, li, ouvi falar
Quem realmente o tivesse
Ouvido.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Imagem que me veio à mente

Seu rosto pálido expôs a sinceridade de um sentimento - o que há tempos não se via. Seus olhos abriram-se o máximo possível, deixando a parte negra totalmente interna à branca. Os cílios combinavam com o restante do conjunto, postando-se atentos, de pé, acompanhando as sobrancelhas. Sua boca delicada e macia insistia em esticar o tecido, tornando-se totalmente lisa e expondo um mundo escuro, do qual saíram comentários de toda uma vida - sabe-se lá do quê mais - representados por uma vermelhidão, como que sangrando, sofrendo pelos caminhos que escolhera para finalmente estar assim, daquela maneira, naquele momento. As bochechas permaneceram inalteradas, talvez por causa da maquiagem ou porque não têm grande capacidade de se deformarem. O cabelo amarelo dourado destoava da situação: estava gracioso e impecável, emanando um brilho único. Parecia proposital que iluminava as prováveis trevas que estavam por vir. Suas ondas lembravam a tranquilidade do oceano e possivelmente seus ensinamentos. Uma coisa atrás da outra, sempre, harmonicamente, envolvendo a trama da existência, seja ela qual for.

A cena estava totalmente parada, substituindo quaisquer palavras que alguém um dia usara na esperança de expelir o que sentia. Seria uma linda propaganda de cinema holywoodiano dos anos 60 - talvez seja - se não aparecesse aqui, somente aqui, até onde sei.