segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O valor do Nada

A voz do silêncio
Será sempre mais profunda
Do que qualquer voz
De qualquer homem
De qualquer época,

Pois esta última...
Esta última está
Impregnada de forjas,
De sujeira inerente a algo.
Pior ainda, algo
Que fala,
Algo que é algo.
Assim, menor do que
Nada, do que o
Silêncio.

Porque o nada, por definição,
Não foi infectado nem
Jamais correrá esse risco
Terrível e encabulante.

Aliás, encabulante para mim,
Homem dentre homens,
Que, para fazer jus ao título,
egocentricamente digo,
-É só o que interessa.
E não é verdade?

Não é verdade?!

A impessoalidade, intangível
Ou, mais desagradável ainda,
Inalcançável - por nós, pelo menos.

Mas o nada, o silêncio
É o mais impessoal, mais puro,
Com o discurso mais sincero e
Correto.

E grita!
Para quem quiser escutar.
Desgraça é:
Nunca vi, conheci, li, ouvi falar
Quem realmente o tivesse
Ouvido.

Um comentário:

Marcella disse...

Gostei do texto. Apesar de que fiquei pensando em uma frase que li na Bíblia e que sempre discordei: Tudo proveniente do coração humano é ruim.
Será?

Será que jogamos na lama todas as nossas palavras? Será que o vento que estamos jogando é o vento contaminado pela nossa sujeira?

Mas o nada pode ser realmente encatador em certos momentos... o problema é sempre a limitação que resolvemos impor ao nada... ou não...